Eu não mereço ser rico
Grana ta por aí, a riqueza ta logo ali. Eu quero, mas não mereço.
Quem, sendo pobre, nunca sonhou em ser rico? Quem nunca acordou de saco cheio porque tem que trabalhar e pensou “Caraca, eu tinha que ser rico.. pra não ter que passar por isso”. Desejar conhecer lugares maravilhosos, ter vários produtos e serviços a sua disposição, frequentar qualquer evento e pegar praticamente qualquer mulher, pelo simples fato de que você tem DINHEIRO pra pagar isso tudo. É uma maravilha e eu, diariamente, pratico o exercício de ter devaneios com a vida de high society. Pode ser até que eu consiga, o que particularmente não duvido, mas o ponto principal é: Eu NÃO MEREÇO ser rico.
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Deus não dá asa a cobra, já dizia o ditado. Deve ser por isso que nasci e cresci em favela. Ok, tive uma educação diferenciada, tanto acadêmica quanto familiar, o que causa uma certa estranheza quando eu relato ser From-Cidade-Alta. Vai ver que meu erro foi esse, ou começou por aí: Nasci pra ser povão. Infância em meio a tiroteios e sem brinquedos caros. Sabe-se lá o que seria de mim se eu fosse uma criança rica, mas prefiro acreditar que eu seria uma criança muito da escrota, daquelas que gosta de mostrar pro coleguinha pobre que ELE É POBRE.
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Cresci (ainda pobre) mas beleza, com o tempo eu fui tomando uma postura que não condizia com minha situação real. Talvez por ter uma postura meio de zona sul alinhada a vestimentas e visual de suburbano, até os dias de hoje geral pensa que eu moro na/vim da/morei na Tijuca, o bairro mais meio-termo do Rio de Janeiro, cravado entre um monte de favela, na zona norte do Rio mas que os moradores acham que moram na área-nobra-da-parte-fodida-da-cidade. Essa fama de tijucano sempre foi mal-vista por mim, mas eu a merecia porque sempre a nutri.
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E é nessa vibe que entra meu não merecimento em ter dinheiro: eu tenho “um que” de Tijuca. Ou seja: ainda que eu enriquecesse, minha alma é a mesma favelada por DNA. Isso gera um conflito de ser que não se pode medir. Eu, com muito dinheiro, só faria merda.
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Atualmente eu não bebo, não fumo cigarro, não fumo maconha, não cheiro.. enfim, não usa nenhuma droga que tira a pessoa de si. Um dos motivos, inclusive, é porque isso gasta dinheiro pra caramba e prefiro não nutrir vícios que me deixem mais pobres do que eu já sou. Não duvido nada que se eu fosse rico, ia encher o nariz de pó, fumar maconha o dia inteiro e bêbado o tempo todo, além de gastar com muitos doces pra matar a larica.
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Fora que eu ia perder todo ânimo de estudar. Estudar pra que, se tenho dinheiro sobrando? Eu sou um cara que curte ser informado, que curte aprender, que acha bacana discutir política.. com a vã-esperança que isso me seja profissionalmente útil. Com dinheiro, provavelmente vou cagar pra isso e ainda pagar pra matar alguns políticos.
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E as mulhers? Ah, mulheres… aquelas maravilhosas que só o dinheiro pode comprar. E compraria sem dó nem piedade várias e várias. Aí que tá a merda: Elas poderiam, facilmente, me transformar em um ex-rico, o que me deixaria em um pobre pior do que sou agora, pois além de pobre eu ainda seria um ignorante viciado em drogas sem rumo na vida.
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Na moral, se eu ganhar na mega-sena (e eu jogo sempre) ou enriquecer por meios convencionais, arrumem um jeito de me matar antes que eu faça essas besteiras todas, porque eu realmente NÃO MEREÇO ser rico.
26 de agosto de 2009 às 15:31
Faz o seguinte então: quando ficar rico assina uma procuração dizendo que todos os seus bens sejam administrados por mim. rs
ótimo post! beijos
26 de agosto de 2009 às 16:15
é, coloque seus bens administrativos por mim também uhahuauha
26 de agosto de 2009 às 17:46
haha meu post de hoje também foi sobre dinheiro! cara, to precisand demais! nem vou pra faculdade hoje pq naum tenho nem um real pra transporte…eu não sei se queria ser rica, mas queria pelo menos o dinheiro o suficiente pra não depender de ninguem saca? ô vida!
31 de agosto de 2009 às 13:42
Eu vivo falando isso. O dinheiro me estraga. Nem to podendo ser rica. Ia sair comprando geral…